BÁSICO, meu caro MIGUEL RELVAS?



Fiquei chocado, mesmo indisposto, quando por acidente assisti ao massacre de perguntas a que foi sujeito o meu caro Miguel Relvas, quando a seu pedido, é importante salientar, a seu pedido, foi prestar esclarecimentos na Comissão Parlamentar que discutia a questão das secretas.
Meu caro Miguel Relvas, permita-me que o trate assim. Eu sou natural de Portalegre e o meu caro tem lá os seus ascendentes próximos.
O senhor é um inocente, que a oposição quer queimar. Não deixe, faça como fez nesta passagem pela Comissão.
Perante perguntas repetidas e chatas dos Deputados o meu caro respondeu da única forma possível. Com voz grossa, dizendo meias verdades, uma ou outra mentira inocente, com algum esquecimento de pormenor, perfeitamente admissível em quem tem a cabeça cheia de ideias. É verdade que trocou os pés pelas mãos, mas isso até é natural, qualquer pessoa de boa fé perceberia isso.
Meu caro Miguel Relvas seja sempre assim, de si ninguém há-de tirar nada a não ser uns clippings, não sei se é assim que se diz, no meu tempo diria relatórios, e alguns e-mails, no meu tempo não havia, que o Espião 001 disse lhe ter enviado.

É preciso não saber nada da actividade de um super espião, para acreditar que ele lhe transmitiria dados secretos, a não ser alguma coisa do foro íntimo e particular.
Estes rapazes que escrevem as notícias para os jornais não são de confiança. O Sócrates deixou tudo minado e o meu caro tem que ver bem onde põe os pés não vá tropeçar em qualquer segredo que possa incriminar o Estado, designadamente o estado a que isto chegou.
Sabe, eu não sou muito dado a utilizar aquela forma educada, afectuosa e ao mesmo tempo snob, de me dirigir a si.
Mas tem uma explicação, é que eu ouvi dizer que o seu telemóvel, aquele para onde o 001 lhe mandaria mensagens, cifradas presumo eu, era um aparelho básico.
E lá está, eu senti orgulho por estar perante uma pessoa modesta e que, como eu, também utiliza um telemóvel básico.
E olhe, eu nem assim me entendo muito bem com ele.
Meu caro compatriota, ainda bem que tem um telefone básico. Mostra o seu desprendimento e afasta as dúvidas com que o quiseram enlamear.
Mas já que ficamos amigos, poderei enviar-lhe um e-mail ou sms contando as últimas novidades sobre o desemprego? Ou talvez uma informação a que tive acesso sobre a estratégia do Seguro? Olhe que esta é tão fidedigna que nem o próprio sabe qual é.
- Meu caro Miguel Relvas, o meu básico preferido, o companheiro sério que qualquer líder gostaria de ter a seu lado. Aquele que fica na sombra enquanto o seu chefe passa o tempo a falar, quando devia estar calado. Nem todos podem ser básicos como eu, como nós, desculpe lá o atrevimento. Eu conheço e o senhor também deve conhecer, uma meia dúzia pelo menos, de figurões que não são básicos. Quer ver?



Falei de mais, afinal só eu e o meu telemóvel, mais os milhões de homens e mulheres vencidos pela vida é que somos básicos. Não fora assim… e vocês já teriam feito as malas e ido para Singapura, o local de sonho do seu chefe.
Básico, com que então estive eu a gastar o meu latim e o senhor chama básico a um smartphone Blackberry?

Já agora termino com uma pergunta inocente e que já ouvi dizer a muito boa gente:
“ Há memória de um inquérito parlamentar ter sido útil a quem paga impostos?”
publicado por oirmaodomeio às 16:30 link do post | comentar | favorito